Pentágono desvaloriza. Tripulantes do USS Lincoln debatem-se com depressão e fadiga extrema

Pentágono desvaloriza. Tripulantes do USS Lincoln debatem-se com depressão e fadiga extrema

O Congresso norte-americano pressiona a Casa Branca com relatos de exaustão e de várias tentativas de saltar do porta-aviões por parte de membros da tripulação. O secretário norte-americano da Defesa responde que as condições no navio destacado para apoiar a ofensiva contra o Irão foram "completamente deturpadas". O porta-aviões não faz uma escala num porto há mais de oito meses, um recorde moderno de tempo consecutivo no mar.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Um marinheiro norte-americano limpa um avião no convés do porta-aviões USS Abraham Lincoln | Reuters

Dois jornais norte-americanos dedicados aos elementos das Forças Armadas dos EUA (Stars and Stripes e Navy Times) publicaram denúncias de várias tentativas da tripulação de saltar do USS Abraham Lincoln.

As entrevistas com militares no ativo e famílias revelaram também casos de exaustão e de desânimo crescente. O Navy Times entrevistou a mulher de um militar que terá tentado atirar-se ao mar durante a missão.
O Stars and Stripes revela que a esposa de um dos elementos da tripulação contou, em lágrimas, aos responsáveis militares ter recebido uma mensagem do marido a dizer que ele esperava “não acordar amanhã”.


Foto: Reuters

Também a CNN citou uma fonte oficial norte-americana anónima para afirmar que um militar caiu ao mar tendo sido resgatado e submetido a exames médicos

Não se sabe por que razão caiu ou se regressou ao serviço. Este caso junta-se a uma lista crescente de preocupações quanto aos mais de cinco mil marinheiros e marines a bordo do porta-aviões Lincoln.
Um oficial da Marinha dos EUA assegurou ao Guardian que “com base na informação de que o comando dispõe, não identificámos um aumento nos casos relatados de ideias suicidas ou tentativas de suicídio a bordo do navio”.

As missões dos porta-aviões dos EUA habitualmente duram seis a sete meses e são intercaladas com escalas em portos. De acordo com a Marinha norte-americana, as escalas permitem que a tripulação faça “uma pausa das exigências da vida no mar”.



Algo que não acontece com o USS Lincoln que deixou o porto de origem (San Diego) em novembro. O porta-aviões não faz uma escala num porto há mais de oito meses, um recorde moderno de tempo consecutivo no mar.
O Lincoln foi redirecionado para o Médio Oriente para apoiar as operações dos EUA na guerra com o Irão.

O secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, desmente as notícias sobre a deterioração das condições a bordo do USS Abraham Lincoln.

Uma resposta à carta que lhe escreveu o senador democrata Richard Blumenthal e que exige um relatório formal sobre as condições a bordo do porta-aviões.

Na carta, o senador democrata denuncia relatos da tripulação sobre “falta de bens essenciais, contaminação da água, problemas de canalização, deterioração da saúde mental, preocupações com a segurança no convés” e perturbações no serviço postal que deixaram pacotes de apoio perdidos em trânsito durante meses.

Entretanto, outro porta-aviões norte-americano, o USS George Washington, está atualmente a rumar para o Médio Oriente, de acordo com comunicados da Marinha.

O Wall Street Journal cita fontes oficiais que garantem que o porta-aviões deverá substituir o USS Abraham Lincoln.
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